Entrevista a Daniela Sá Silva

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Entrevista a Daniela Sá Silva

Najha – bolsas de cortiça portuguesa com nome indiano

A Najha, palavra de origem indiana e que significa uma espécie de cobra, é o nome da marca da empresa de Daniela Sá Silva que se dedica à criação de bolsas e acessórios em cortiça.

Nasceu em 2009, e concretizou o sonho de uma gestora que adquiriu na indústria do calçado o gosto pelo design e pela moda. As primeiras colecções não tiveram por base a cortiça, mas a pele. “Eu sou vegetariana e tenho uma filosofia de vida que me faz ser amiga do ambiente e das coisas naturais e, por isso, logo senti a necessidade de encontrar outros materiais que pudessem ser usados nas minhas colecções”, explica Daniela. E surgiu a cortiça.

A empresária revela que no início ficou “intrigada e resistente” ao material. “Não conhecia as potencialidades, não sabia como usar a cortiça, mas os modelos começaram a surgir e, agora, não troco a cortiça”, confessa.

Em 2010, a primeira colecção Najha foi lançada para o mercado. A esta colecção foi acrescentando mais peças em cada estação e está agora a sair a nova colecção Primavera/Verão 2013. Podemos encontrar um pouco de tudo: malas, chapéus, carteiras, cintos, para senhora ou homem, de várias cores e tamanhos. A peça mais pequena, uma pochete de senhora ronda os 80€, e a necessaire – uma mala de senhora que faz lembrar a bolsa dos cosméticos – pode chegar aos 300€. Valores justificados pela manualidade das peças. A designer explica: “normalmente compro a cortiça em rolo e começo a fazer amostras e a experimentar; depois faço os moldes e tenho costureiras que me executam as peças. Todo o trabalho é manual”.

Um trabalho que já encantou portugueses, mas também italianos e Daniela Sá Silva está já em contacto com outros mercados que querem comercializar as suas peças.

Melhorar a qualidade

A estilista diz que gosta muito de trabalhar com cortiça, mas gostava de ver o sector a investir um pouco na qualidade do produto. “Noto que há algumas cortiças que têm perdido qualidade e não podemos deixar que isto aconteça porque estamos a criar um mercado e a fidelizar clientes e se não lhes damos a qualidade exigida não vamos conseguir ter o futuro promissor que eu espero. A cortiça tem futuro, mas não podemos descurar a qualidade”, alerta Daniela Sá Silva. Este trabalho cabe a Portugal, pois como explica a empresária estamos perante um “efeito país de origem”, o que se chama “Made In”. Além de que “a cortiça é vista como parte integrante do nosso país e, por isso, temos de associar esta matéria-prima à marca do próprio país”, aconselha.

Deixa uma receita com sucesso garantido: design mais cortiça mais qualidade. Tudo é igual a projecto de futuro.

Perfil

Licenciada em Gestão e Mestre em Marketing, pela Universidade Lusíada, ingressou no mundo da moda e acessórios pela via do calçado. Trabalhou durante sete anos na área comercial do sector, o que lhe permitiu estar em contacto com a vertente mais criativa e de design da empresa. Cedo percebeu que gostava de fazer fluir as suas ideias. Para melhor desenvolver esta paixão foi realizar uma formação de modelação em marroquinaria, no Centro de Formação Profissional da Indústria do Calçado. Mais tarde partiu para Itália onde aprofundou a área do Design e Estilismo em marroquinaria e acessórios, ligada à revista de moda Ars Sutoria. Um conhecimento que logo colocou em prática com a criação das suas colecções. Primeiro em pele e depois em cortiça: por defender uma filosofia de vida mais amiga da natureza. Natural de Fiães, quer levar a cortiça o mais longe que conseguir.

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