Entrevista a Virgilio Ferreira

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Entrevista a Virgilio Ferreira

Virgílio Ferreira, autor do livro “Sentir a Pele”

“Apaixonei-me pelo sobreiro e pela cortiça”

“Sentir a Pele” da cortiça, transportando todas as texturas e toda a beleza natural que esta matéria-prima detém foi o móbil que levou Virgílio Ferreira a fotografar a cortiça e o sobreiro. Mais de 60 imagens captaram o trabalho de largas semanas. O autor conta como foi…

APCOR – Como surgiu a ideia do Livro “Sentir a Pele”? Virgílio Ferreira – Eu já há muito tempo que sentia vontade de fazer um livro diferente sobre a cortiça. O meu contacto com o montado de sobro e a indústria de cortiça, primeiro através da Amorim & Irmãos e depois da APCOR, fez-me olhar para este sector de uma forma diferente. Pensei que o sector merecia uma abordagem diferente. Diferente em que sentido? Apaixonei pela árvore, pela paisagem, pelo património natural e nacional e achei que devia apresentar a cortiça com uma outra imagem. Uma imagem sublime, requintada, digna da beleza que esta fileira encerra.

E como passou da sua vontade à prática? Depois de ter feito o primeiro trabalho com a APCOR, onde recolhi muitas imagens da indústria e também de ambientes relacionando a cortiça e o vinho, numa das minhas passagens pela associação, vossa directora de Comunicação, Elisa Pedro, lançou-me o repto de captar a cortiça de uma outra perspectiva, recolhendo fotografias das texturas e dando valor à estética da cortiça. Recorri a uma agência, o Atelier de Imagem, para conceber graficamente o livro e apresentei-o à APCOR.

E como foi a receptividade? O trabalho foi muito bem recebido, uma vez que ia de encontro ao trabalho que a APCOR desenvolveu nos últimos tempos, no sentido de apresentar a cortiça como um material grandioso, com propriedade únicas e inigualáveis.

E depois deitou as mãos à obra… Sim, fui para o terreno. Primeiro no Alentejo, onde durante cerca de 3 semanas contactei com as pessoas que trabalham com a cortiça, conheci gentes e lugares e consegui olhar para o sobreiro como se de uma escultura se tratasse. O sobreiro tem uma expressão única que me deu muito prazer em captar. Depois seguiu-se o trabalho nas fábricas onde fotografei todo o processo de fabrico das rolhas de cortiça.

E como foi o trabalho que se seguiu à fotografia? Depois andei pelas fábricas, por algumas entidades a apresentar o livro. Fui vender o projecto, pois como qualquer projecto tem de ser suportado financeiramente – e este projecto em especial exigiu um grande investimento da minha parte.

E como argumentou para vender o livro? Acho que a obra fala por si. Mas nem sempre é fácil demonstrar às pessoas que o lhes estava a ser apresentado é algo que pretende valorizar o que de melhor tem Portugal, muitas vezes as pessoas preferem o que vem de fora do que comprar algo feito por nós, e que valoriza a nossa cultura, o nosso país.

E que outros projectos tem em mente? Em relação à cortiça, penso que ainda é possível fazer muita coisa interessante. Mas deixo um pouco do lado da APCOR outros projectos que se possam desenvolver. A nível pessoal, desejo fazer outros projectos similares com outras riquezas que Portugal tem, como foi o caso do sobreiro e da cortiça.

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