Fauna

Biodiversidade natural

As florestas de sobro asseguram uma grande biodiversidade natural em fauna selvagem, que conta com 24 espécies de répteis e anfíbios (53% da população portuguesa), mais de 160 espécies de aves e 37 espécies de mamíferos (60% dos mamíferos portugueses). Os montados de sobro geram cobertos de fuga e nidificação e zonas de alimentação para várias espécies de fauna.

Entre os animais mamíferos encontrados nas florestas de sobreiros incluem-se lebres, doninhas, lobos, genetas, javalis, veados e alguns linces ibéricos – o felídeo mais ameaçado em todo o mundo encontra nos montados e bosques de sobro o seu habitat preferencial.

As florestas de sobro da Península Ibérica constituem o habitat ideal para milhões de aves, tais como o falcão peneireiro, o mocho galego, o picanço real, cegonhas-pretas, águias imperiais, águias ibéricas, milhafres, abutres negros, piscos, tordos, tentilhões e pica-paus, bem como para as 60.000 garças-reais que anualmente chegam do Norte da Europa. Podem ocorrer, ainda, poupas e abelharucos, cotovias, estorninhos, gaios, pegas, rouxinóis, felosas e toutinegras, chapins, trepadeiras, pardais e escrevedeiras.

A coruja-do-mato, ave de rapina noturna de médio porte, plumagem cinzenta ou castanho-arruivada e grandes olhos negros, é particularmente abundante nos montados de sobro e azinho e habita em árvores antigas com muitos buracos e em carvalhais. A cotovia-dos-bosques, pequena cotovia de plumagem castanha, cauda curta e poupa vestigial, nidifica por todo o território numa grande variedade de habitats, como os montados abertos. O pisco-de-peito-ruivo, pequeno turdídeo de plumagem acastanhada, como um “babete” laranja vivo que lhe cobre a face e o peito, uma das aves mais comuns durante o inverno, frequenta uma grande variedade de formações arbóreas, incluindo montados de sobro e azinho, sobreirais, azinhais, olivais, pinhais e matas ripícolas.

Das 51 Zonas Importantes para as Aves em Portugal Continental identificadas pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), 11 possuem manchas significativas (mais de 1000 hectares) de sobreirais e montados de sobro.

Lince Ibérico

Estudos conduzidos em março de 2005 calcularam que o número de linces ibéricos sobreviventes era de apenas 100, muito abaixo dos 400 em 2000. No entanto, depois da revisão da Lista Vermelha das espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza, em junho de 2015, o lince ibérico deixou de ser considerado internacionalmente como um animal criticamente em perigo, embora se mantenha como uma espécie em risco de desaparecer.

Em 2002, a situação era complexa, o lince ibérico estava criticamente em perigo e em Portugal não se via um exemplar na natureza desde o início da década de 1990. Portugal e Espanha uniram-se para a sua conservação e o número de linces triplicou de 52 para 156 em 10 anos, ou seja entre 2002 e 2012. Desde então, na Península Ibérica, intensificou-se o programa de reintrodução de linces com cinco centros de reprodução em cativeiro, um em Portugal e quatro em Espanha. Neste momento, haverá 11 linces em Portugal.

Em 2004, a Liga para a Proteção da Natureza, em parceria com a organização internacional Fauna & Flora, lançou o Programa Lince para assegurar a conservação e a gestão a longo prazo de áreas com habitat Mediterrâneo, como os montados de sobro. Um dos objetivos do programa incidiu na demonstração de que as atividades económicas locais, como a exploração da cortiça, podem ser compatíveis com a conservação de habitats e espécies ameaçadas.

No TOP 5 das espécies mais ameaçadas e emblemáticas de Portugal, a WWF aponta o lince ibérico e a águia-imperial ibérica.

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