Rolhas de Cortiça são amigas do ambiente

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A produção de uma rolha de cortiça emite para a atmosfera quatro vezes menos CO2 do que a produção de uma cápsula de alumínio. Esta foi a principal conclusão de um estudo desenvolvido pela empresa Cairn Environment sobre o impacto da produção de vedantes para o meio ambiente.
Segundo o estudo, a “pegada de carbono” (carbon footprint) em quilogramas por tonelada é de 10kg de CO2 por tonelada para as cápsulas de alumínio e de 2,5kg para rolhas de cortiça capsuladas. O que faz com que a produção de uma rolha de cortiça seja mais ecológica do que a produção de um vedante de alumínio.
 
Um recente estudo publicado pela Assolegno (Associazione Nazionale delle Industrie Forestali e della Lavorazione del Legno) – associação italiana relacionada com a floresta – indica que ao consumir 15 mil milhões de garrafas vedadas com rolha de cortiça por ano é possível reter a poluição provocada por 45 mil viaturas/ano que circulem 15 mil quilómetros/ano cada uma. Segundo a Assolegno, uma viatura emite 170g de CO2 por km e uma rolha de cortiça é capaz de reter 7,9g de CO2, o que equivale, em média, ao dobro do seu peso. O que quer dizer que o consumo de 15 mil milhões de rolhas/ano permite a retenção de 118500 toneladas de CO2/ano. Estas conclusões tiveram por base a análise do ciclo de vida de uma rolha de cortiça, tendo sido analisado todos os passos da sua produção desde a floresta até ao produto final.
 
Ainda sobre esta temática, o investigador do Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial (INETI), Luís Gil, acrescenta os seguintes dados: considerando a recomendação médica para um adulto de beber diariamente cerca de dois copos de vinho/dia (2,5 dl de vinho/dia), seria consumida uma garrafa de vinho (0,75 l)/pessoa em cada três dias, o que corresponde a 122 rolhas/ano; este número de rolhas representa 1183,40 g CO2/pessoa/ano, o que por sua vez corresponde a cerca de 7km percorridos por um veículo médio/pessoa/ano.
 
O montado de sobro contribui, ainda, para a fixação de cinco por cento das emissões totais de CO2 em Portugal. Segundo um estudo do Instituto Superior de Agronomia (ISA), que analisou a Produção Líquida do Ecossistema (PLE) – indicador que mede a capacidade de sequestro de CO2 na floresta -, o montado de sobro português representou, em 2006, um sumidouro de cerca de 4,8 milhões de toneladas de CO2. Atendendo que as emissões totais de Portugal rondam os 85 milhões de toneladas, o montado é responsável pela fixação de cinco por cento das emissões totais.
 
Preservação do ecossistema
 
A indústria de cortiça garante, ainda, a sustentabilidade do montado de sobro e contribui para a preservação das espécies da fauna e flora que aí habitam.
O montado de sobro e o ecossistema agro-silvo-pastoril que coexiste em seu redor assumem uma importância crucial, na medida em que contribuem para a preservação do ambiente, sustentam a fauna e flora existente e ainda conseguem assegurar a vida das populações em zonas de clima hostil e de solos pobres.
 
Rolhas de cortiça 100 % recicladas
 
As rolhas de cortiça podem, ainda, ser recicladas e re-utilizadas. As rolhas usadas são trituradas e aproveitadas para o fabrico de outros produtos aglomerados, não podendo, no entanto, ser aproveitadas para a indústria vinícola. Existem um conjunto de iniciativas em todo o mundo que têm dado corpo a esta ideia. Como exemplo temos em Portugal a Câmara de São Brás de Alportel que tem espalhado os “Rolhões” pela cidade para a recolha das rolhas de cortiça.
 
Indústria de cortiça é eco-eficiente
 
È na indústria de cortiça que o lema “nada se perde tudo se transforma” se aplica na perfeição. Ao longo de todo o processo produtivo todos os desperdícios resultantes do fabrico de rolhas naturais são transformados em produtos úteis e de excelente qualidade. Desde rolhas técnicas e aglomeradas, a painéis para pavimentos e revestimentos, artigos decorativos para o lar e escritório, peças de arte e design, solas para sapatos, aplicações no sector automóvel, aplicações nas indústrias militar e aeroespacial, produtos químicos para fins farmacêuticos, entre muitos outros. Até mesmo o pó de cortiça é utilizado na co-geração de energia eléctrica.
 
Notas ao editor
 
Sobre o tema Emissão de CO2 na produção de vedantes pode consultar:
“As cápsulas de alumínio emitem quatro vezes mais CO2 do que as rolhas de cortiça”, Harpers, 27 de Julho de 2007
“As cápsulas de alumínio são mais prejudiciais para o meio ambiente” – Decanter, 24 de Julho de 2007.
 
Sobre o estudo da Assolegno pode aceder ao site: www.federlegno.it/associazioni/assolegno/ e consultar “ECOBILANCIO DI PRODOTTI IN SUGHERO”.
 
Sobre o Estudo do ISA consultar artigo “O sequestro de carbono por diferentes ecossistemas do Sul de Portugal” Pereira1, J. S., Correia, A.P., Mateus, J.A., Aires3, L.M.I., Pita2, G., Pio, C., Andrade, V., Banza, J., David, T.S., Rodrigues, A., David, J.S.
 
Associação Portuguesa de Cortiça (Apcor)
 
A Apcor tem como missão representar e promover a indústria portuguesa da cortiça, representando cerca de 300 empresas, que no seu conjunto são responsáveis por cerca de 80% da produção nacional total e 85% das exportações de cortiça. É também responsável pelo desenvolvimento de acções de promoção e valorização da cortiça através da realização de iniciativas de carácter nacional e internacional, disponibilizando, ainda, um centro de informação.
 
Para mais informações, contacte, por favor:
Joaquim Lima
Director Geral
Tel. 22 747 40 40
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