APCOR aponta medidas de fundo para alterar actual estado de crise do sector

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A Associação Portuguesa de Cortiça (Apcor) convocou os associados para uma reunião sob o tema ”Análise do contexto sectorial actual – Problemas e Soluções” que decorreu no dia 08 de Janeiro, e que teve a duração de cinco horas.
Tendo-se registado uma participação assinalável, e nunca antes verificada por parte dos associados, na reunião de trabalho foi possível traçar um quadro de problemas e identificar as soluções que os empresários colocaram num contexto sectorial caracterizado pela situação de crise instalada e vivida pelas empresas.
 
Ao nível dos problemas, e sendo o sector fortemente exportador, o papel do mercado assumiu particular cuidado na análise efectuada tendo sido possível constatar que:
          A tendência futura pode evidenciar alguma perda percentual num mercado de maior dimensão;
          O consumo de vinho tem registado uma tendência globalmente positiva, mas em mercados e segmentos onde a penetração de vedantes alternativos é maior;
          Comparativamente aos vedantes alternativos, a rolha de cortiça perdeu cerca de 30% do mercado em pouco mais de dez anos;
          A inovação e melhor performance da cortiça têm merecido um reconhecimento parcial, mas ainda sem impacto na evolução da actividade.
 
Por outro lado, circunscrevendo a análise na vida interna das empresas, foi possível encontrar um conjunto de constrangimentos que penalizam diariamente o desempenho das empresas, sendo de destacar:
          Dificuldades penalizadoras a nível fiscal como, por exemplo, os atrasos verificados no reembolso do IVA no inicio de cada ano. Do mesmo modo, o Pagamento Especial por Conta mereceu fortes críticas dos empresários na medida em que se trata de um modelo injusto da tributação de um rendimento que por vezes não existe;
          Dificuldade ao nível das micro e pequenas empresas usufruírem das medidas de apoio públicas que, constantemente, são divulgadas pelo Governo;
          Dificuldades de financiamento junto da banca, com os sucessivos cortes de linhas de financiamento das empresas, acompanhadas com elevados crescimentos dos spreads financeiros;
          Inexistente/deficiente política pública que encare o sector de modo integrado na perspectiva da produção (tutela agricultura) e da transformação (tutela da economia);
          Défice de qualificações continua a ser evidenciado como um problema que agrava o desempenho das empresas.
 
 Passando às soluções, foi preconizado:
          Os apoios públicos devem considerar, prioritariamente, as micro e pequenas empresas, sendo necessário agilizar-se os mecanismos de acesso sendo oportuno envolver-se as associações enquanto facilitadores na respectiva divulgação e implementação desses apoios;
          A redução da carga fiscal do IVA e a eliminação do Pagamento Especial por Conta devem ser concretizadas rapidamente;
           A política pública deve considerar urgentemente a fileira da cortiça de modo integrado, exigindo uma rápida e efectiva coordenação das tutelas da agricultura e da economia;
          A necessidade de dar continuidade ao esforço comunicacional do sector através da realização de campanhas de grande dimensão e que considerem os principais mercados e públicos alvo de interesse ao sector. Necessário o envolvimento do apoio público financeiro;
          Reforçar o esforço de inovação encetado pelo sector, nos últimos anos, ao nível dos processos de produção e da melhoria dos produtos, valorizando gradualmente a componente de sustentabilidade social, ambiental e económica do sector;  
          Continuar a aposta na melhoria de mecanismos de regulação sectorial à imagem do Systecode – Sistema de acreditação das empresas mediante o Código Internacional das Práticas Rolheiras (CIPR);
          Definição de uma estratégia de valorização dos produtos de cortiça, potenciando um product mix adequado às necessidades da floresta, da indústria e das necessidades actuais dos mercados;
          Potenciar o sobreiro e a cortiça e toda a sua dimensão social, ambiental e económica, enquanto património nacional cujo impacto ultrapassa as nossas fronteiras. 
 
A reunião terminou com a noção clara de um trabalho árduo a encetar pelas empresas e pela Apcor em prol do reforço da competitividade e sustentabilidade do sector. Neste esforço, é inevitável, também, haver uma atenção redobrada das politicas públicas que considerem apoios mais eficazes sobretudo para as pequenas empresas e, simultaneamente, que promovam politicas integradas de desenvolvimento da Fileira como um todo.
 
Para mais informações, contacte, por favor:
Joaquim Lima
Director Geral
Tel. 22 747 40 40
E-mail: realcork@apcor.pt
www.apcor.pt
 
Notas ao editor:
 
Associação Portuguesa de Cortiça (Apcor)
A Apcor tem como missão representar e promover a indústria portuguesa da cortiça, representando cerca de 250 empresas que, no seu conjunto, são responsáveis por cerca de 80% da produção nacional total e 85% das exportações de cortiça. É também responsável pelo desenvolvimento de acções de promoção e valorização da cortiça através da realização de iniciativas de carácter nacional e internacional, disponibilizando, ainda, um centro de informação.

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