A música alia-se à cortiça em defesa do montado

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A Apcor participou, nos passados dias 18 e 19 do corrente, em acções de salvaguarda e promoção do montado de sobro, em plena serra de Grândola, no âmbito da 7.ª edição do Festival Terras Sem Sombra de Música Sacra do Baixo Alentejo, levado a efeito pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja (DPDB).

Refira-se que esta iniciativa de valorização dos recursos naturais surgiu na sequência de um protocolo estabelecido entre o Departamento do Património da Diocese de Beja e o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), que visou promover a importância da biodiversidade num contexto musical.

Assim, após um dia 18 consagrado à música, a herdade das Barradas da Serra, que preserva uma significativa parcela de bosque mediterrânico, sendo um exemplo de aproveitamento do montado nas suas diversas expressões – florestal, ambiental, turística e pedagógica -, tornou-se num “palco” virado para a preservação deste ecossistema, que é uma das riquezas daquela região.

Esta acção foi apadrinhada pela violoncelista Irene Lima e contou com a participação não só dos músicos e da equipa do Festival, mas também da comunidade local e de destacados agentes das fileiras ambiental, agrícola, industrial, entre os quais António Rios de Amorim, o presidente da Associação Portuguesa da Cortiça, e Joaquim Lima, o director-geral. À frente dos trabalhos esteve Armando Sevinate Pinto, assessor do Presidente da República para a agricultura e o mundo rural.

O objectivo do DPDB foi chamar a atenção para a importância natural e socioeconómica deste ecossistema, assumindo o cruzamento entre património, música e biodiversidade como uma prioridade de fundo. Por isso, o montado foi abordado na sua dimensão plural, enquanto garante de um vasto conjunto de recursos naturais e de actividades humanas – da dimensão ambiental às vertentes económica, social, histórica e religiosa.

Ora, este é um propósito que veio ao encontro do que é a política da Apcor neste domínio, centrada numa estratégia que pretende envolver não só o estado português, mas também a União Europeia.  

Registe-se que participaram na acção diversas entidades ligadas à cortiça e à floresta, nomeadamente o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, o Instituto Superior de Agronomia (Universidade Técnica de Lisboa), a Associação de Produtores Florestais do Vale do Sado (ANSUB), a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), a Apcor, a Corticeira Amorim e a Câmara Municipal de Grândola.

Um dos momentos mais marcantes desta iniciativa, pela sua projecção em termos de um futuro sustentável, foi a adopção de um sobreiral por parte da Escola EB1/JI das Ameiras, que integra o projecto Eco-Escolas do Alentejo Litoral.

E os 70 alunos deste estabelecimento de ensino uniram-se a outras 10 crianças e aos adultos para, em conjunto, analisarem a problemática da conservação do montado e da importância da cortiça. É de realçar que boa parte desses alunos são filhos de trabalhadores sazonais na tiradia da cortiça, o que reforça uma ligação directa da acção ao meio.

Como um das importantes conclusões a retirar deste encontro, ficou a noção de que é importante valorizar a auto-estima dos agentes locais ligados à produção da cortiça e ao aproveitamento dos produtos do montado, reconhecendo-lhes o papel na criação e conservação de um dos principais recursos naturais do país. Através das escolas chega-se ao resto da sociedade, promovendo a circulação de informação.

De assinalar, ainda, a atribuição dos nomes dos artistas presentes no Festival de Música Sacra a árvores centenárias, a colocação nos sobreiros de ninhos construídos com cortiça virgem, a realização de uma tiragem tradicional de cortiça e a sua associação a alguns dos melhores vinhos da região.

Em termos de futuro, realce-se que o Departamento do Património da Diocese de Beja vai continuar a colaborar com a Apcor em acções a favor do montado, nomeadamente levando a cabo, a 18 de Outubro, um seminário sobre o tema.

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