Produtor francês regressa à cortiça

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Diario Económico

O produtor de vinho francês Domaine Laroche regressou, no ano passado, à cortiça, dez anos depois de ter tomado a decisão de experimentar as cápsulas de alumínio. A revista americana Wine Spectator lançou o desafio ao produtor Grégory Viennois para explicar as razões desta escolha.

“Em 10 anos muitas coisas mudaram. Na vinha, na cave e no engarrafamento do vinho. Hoje em dia os fornecedores de rolhas são melhores. Foi realizado um grande trabalho para controlar todo o processo de produção na indústria da cortiça. Fazem-se análise várias e, como já se conhece a molécula que pode trazer maus aromas ao vinho, é mais fácil controlar”, refere Grégory Viennois.

O produtor continua a tecer os argumentos: “a cortiça é um produto natural e para nós a sustentabilidade é muito importante.” O director da cave refere, ainda, que a sua empresa também realiza controle de qualidade nas rolhas compradas. “fazemos análises aos lotes recebidos por amostragem e se identificarmos um problema numa rolha rejeitamos todo o saco”, explica.

No que toca ao oxigénio na garrafa, Grégory Viennois afirma que “nós precisamos de oxigénio, mas tudo depende da quantidade. Com boas rolhas nós temos uma permeabilização ao oxigénio, os vinhos evoluem, mas lentamente. Penso que é por isso que gostamos de abrir vinhos antigos. A evolução em garrafa é um romance e um mistério.”

Na entrevista, o produtor e o editor da Wine Spectator provam ainda dois vinhos. Um Chablis Saint Martin de 2014 vedado com rolha de cortiça. O editor pergunta qual seria a diferença se o vinho estivesse vedado com cápsula de alumínio. O produtor responde que “o vinha era mais fechado, menos expressivo e com menos aromas de flores no momento de abertura.”

A entrevista completa pode ser visualizada em http://video.winespectator.com/ .

Registe-se que este é mais um exemplo de um produtor de vinho que depois de experimentar as cápsulas de alumínio regressou à cortiça. Já em 2013, a Haselgrove, uma produtora australiana de vinhos premium, comunicou a sua decisão de voltar a utilizar a rolha de cortiça, depois de algum tempo de experimentação com cápsulas de rosca. Na base da alteração, a necessidade de ter um vedante que contribuísse para o correcto desenvolvimento dos seus vinhos, alguns deles vendidos a cerca de 90 euros a garrafa. Em 2011, o produtor Klein Constantia, da África do Sul, decidiu regressar à cortiça para o seu Perdeblokke Sauvignon Blanc 2010, depois de três anos a utilizar cápsulas de rosca. O enólogo da marca à época, Adam Mason, resumiu esta decisão da seguinte forma: “ao engarrafar com cápsulas de rosca estávamos a baixar a qualidade do vinho”. Na Austrália, a Rusden Wines, após cinco anos a recorrer a cápsulas de rosca, também decidiu regressar à cortiça. “Tornou-se claro que a cortiça é o melhor para os nossos vinhos”, sintetizou o enólogo Christian Canute, acrescentando também que “é a única forma de ultrapassar as questões de redução de aromas que se verificava com as cápsulas de alumínio.”

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