Protocolo familiar em análise

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Diario Económico

“Protocolo Familiar: o acordo da família e os instrumentos jurídicos de suporte” foi o mote do último seminário de um ciclo de encontros sobre as “Empresas familiares” e que decorreu na passada semana no Europarque, em Santa Maria da Feira. O sector da cortiça, como um dos sectores chave do concelho, foi chamado a intervir com a presença do presidente da Associação Portuguesa da Cortiça (Apcor), João Rui Ferreira. De referir que este tema é particularmente relevante para o sector da cortiça na medida em que o tecido empresarial é composto predominantemente por empresas familiares, fortemente enraizadas no distrito de Aveiro – 78 por cento das empresas. Das cerca de 600 empresas que operam em Portugal, 473 possuem até nove trabalhadores, sendo que destas 353 estão apenas no concelho da Feira, segundo os últimos dados do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Se se analisar os dados tendo em conta as empresas associadas da Apcor, registe-se que das cerca de 270 empresas, 55 por cento têm até cinco trabalhadores e 27 por cento entre seis e nove trabalhadores.

Outro dado a registar é que o sector rolheiro domina com 58,3 por cento do total das empresas, com um valor a aumentar para 73,4 por cento no que diz respeito ao concelho da Feira.

Ao nível dos recursos humanos, o sector da cortiça emprega pouco mais do que oito mil pessoas, sendo que metade estão consideradas como profissionais qualificados, no entanto o grau de habilitação mais representativo é o ensino básico com mais de seis mil trabalhadores. Neste cenário o presidente da Apcor referiu que se colocam alguns desafios sobre o futuro das empresas, nomeadamente “o sector continua a viver uma mutação do ponto de vista empresarial e as empresas têm hoje um carácter mais profissional e menos familiar, com os elementos da família a terem de encontrar o seu espaço, se enquanto gestores ou acionistas.”

Uma nota deixada no sítio do evento, acessível em http://empresasfamiliares.jn.pt/, refere que “apesar da enorme importância para o tecido económico, ao nível da criação de emprego e geração de riqueza, com uma representatividade na ordem dos 60% do PIB nacional, também é verdade que as sociedades familiares registam uma significativa taxa de mortalidade, sendo que alguns dados estatísticos dizem que apenas 15% consegue sobreviver às mãos da terceira geração familiar.”

Outro orador, António Nogueira da Costa, sócio fundador da EFConsulting – uma das entidades da organização -, sublinhou que “a empresa familiar é como um íman que atrai um conjunto de vontades, pessoas e expectativas”, e que “o protocolo familiar é um processo que vai equilibrar os diferentes poderes e fazer com que o íman funcione”. A meta passa por “assegurar a continuidade da empresa de uma forma consensual”, acrescentou.

A conferência contou, ainda, com um debate entre empresários familiares da região: André Gonçalves (Recor), Rúben Avelar (Ferreira Avelar & Irmão), Ivânia Santos (Rufel) e David Almeida Costa (Costa & Almeida).

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