Cortiça é sector de importância multissecular

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Cortiça é sector de importância multissecular

A fileira da cortiça, e nomeadamente o seu sector industrial, tem-se mantido como actor de primeira grandeza da economia portuguesa, pelo menos, desde o século XIX. De facto, segundo o investigador Nuno Silva, em “A cortiça nos debates parlamentares da nação portuguesa” – tese de mestrado em História Contemporânea -, este tema marcou muitas das sessões parlamentares da então Monarquia Constitucional portuguesa, no período compreendido entre 1839 e 1899.

“Em meados da segunda metade da centúria de oitocentos, era o único sector onde recaíam esperanças para o crescimento das exportações portuguesas”, vinca o investigador da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, socorrendo-se de um estudo da reputada investigadora Maria Filomena Mónica, que analisou “Capitais e Industriais” entre 1870 e 1914.

Mais adiante no seu trabalho, Nuno Silva referencia, na arena comercial, as relações estabelecidas com países como os Estados Unidos da América (EUA), o Brasil, o Japão e com os países europeus – Suécia, Noruega, Dinamarca, Países Baixos, Bélgica, Alemanha, Rússia, Grã-Bretanha, Espanha, e França. Então, como hoje, as exportações assumiam importância fulcral para a economia, sendo motivo de atenção e apoio por parte dos poderes vigentes no século XIX.

Neste contexto, pode ser traçado um paralelo com o desenvolvimento da campanha InterCork – Promoção Internacional da Cortiça, sustentada e desenvolvida com recurso aos fundos europeus provenientes do QREN (quadro de referência estratégico nacional), que é gerido pelo Governo português.

Recorde-se que esta campanha está a promover os produtos feitos em cortiça nos grandes mercados internacionais, através da “educação” dos consumidores, no caso da rolha de cortiça, e da promoção junto de profissionais de sector, no que diz respeito aos materiais de construção. Em ambos os casos, as campanhas mediáticas têm sido incisivas e criativas.

O montado de sobro e a fileira da cortiça também já eram vistos no século XIX como potenciadores de desenvolvimento regional e nacional. “Intramuros, era muito importante para os produtores de cortiça e para as indústrias nacionais a criação de vias de comunicação com condições e dimensões suficientes para poder facilitar o transporte desta e de outras matérias-primas dentro do território nacional”, comprova a tese.

De forma explícita, Nuno Silva afirma que “a cortiça funcionou como produto dinamizador dos portos comerciais, como os de Lisboa, Setúbal, Sines, Porto, Portimão, e Viana do Castelo, citando os mais movimentados”.

E, “a nível terrestre, a cortiça foi usada como argumento para a efectuação de melhoria de estradas dentro de localidades, como aconteceu em Santiago do Cacém ou, ainda, em Santa Maria da Feira”.

O estudo vem comprovar que, nomeadamente, “a região alentejana, berço dos montados, viria a beneficiar muito com essa nova dinâmica”, sublinhando, depois, que o reconhecimento, por parte do Estado, da “importância que os sobreirais detinham para algumas economias locais”, levou à produção de legislação “em torno deste sector”.

Hoje em dia, a fileira movimenta-se, novamente, para obter o reconhecimento estatal e europeu nas diversas mais-valias do montado de sobro. Na linha da frente, a Confederação Europeia da Cortiça (C.E. Liège), com o apoio da Apcor, quer inscrevê-la nos quadros comunitários que garantem a concessão de subsídios, para assim, lhe restituir uma dimensão mais aproximada da realidade ocupada na economia e indústria nacionais, como o vem demonstrando a historiografia portuguesa.

“Mais do que uma escolha humana, a cortiça em Portugal foi uma escolha da natureza, que uniu o mundo em torno de um propósito, que, ainda hoje, se mantém vivo – a sua transformação”, conclui o académico. Uma transformação que, no presente, passa pelo desenvolvimento de novos produtos e aplicações, fruto da visão de um sector que tem “puxado” pela criatividade dos seus agentes e profissionais.

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