Valdemar Sá, Cortiças, Lda.

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Valdemar Sá, Cortiças, Lda.

“Cortiça é uma paixão, mas sobretudo é amor” – Valdemar Albergaria e Sá, gerente da Valdemar Sá, Cortiças, Lda.

Em 1995, mais precisamente a 16 de Agosto, Valdemar Albergaria e Sá fabrica a primeira rolha de cortiça natural na fábrica que abre em nome individual. É uma data que voltou a ficar marcada para a história isto porque é a data de aniversário do empresário. “É, de facto, um dia que jamais se apagará da minha memória, por todos os motivos. Num pequeno anexo da casa daqueles que acabavam de se tornar meus sogros, dei um grande passo na minha vida e logo no dia em que completava 27 anos”, recorda o empresário. Mas a ligação com a cortiça já vinha de tenra idade. É de família de outros empresários do sector e, após uma passagem pela escola – frequentou o Colégio dos Carvalhos -, quando completou 15 anos, o pai, Jorge Pinto de Sá, fez-lhe uma pergunta que mudou a sua vida: “queres continuar a trabalhar ou ir trabalhar para a indústria da cortiça?” A escolha foi imediata e Valdemar Sá nem pensou duas vezes. Começou, então, a trabalhar na empresa do pai e dos tios. Passou por todas as etapas dentro da fábrica: começou a traçar a cortiça, a cozer e a rabanear, a brocar e a escolher. E com 20 anos tornou-se encarregado geral da produção. Também nesta altura, o empresário recorda o facto de ir para o montado comprar a cortiça. “Foi muito importante para mim conhecer todas as etapas dentro de uma empresa”, regista. Talvez este facto tenha ajudado a lançar-se no negócio próprio. No início contava com a ajuda da esposa, Isabel Vale (ainda hoje sócia-gerente da empresa), e de mais um familiar, mas rapidamente percebeu que a empresa estava a crescer e, em 2001, avançou para a Zona Industrial do Pousado, em Paços de Brandão, local onde se encontra até hoje. Nesta altura, a mão-de-obra também aumentou e passou a contar com 12 colaboradores.

Entre 2001 e 2010, o crescimento anual ao nível do volume de negócios foi moderado, altura em que tentaram a sorte na exportação para Espanha e França, mas rapidamente perceberam que o mercado nacional deveria ser o foco, até que entre 2010 e 2013 atingiram a barreira dos 10 milhões de euros por ano. “Decidimos apostar em fazer mais e melhores rolhas naturais e estabelecer parcerias com empresas de cariz exportador”, refere Valdemar Sá. E continua: “não tínhamos estrutura para continuar a exportar, é preciso ter em conta muitos factores, mas podíamos investir no nosso produto, investir em processos mais rigorosos e obter rolhas com mais qualidade”, explica o empresário. Deste modo, e a partir de 2013, o volume de facturação chegou aos 13 milhões de euros/ano, com uma produção anual de rolhas a rondar as 90 milhões de unidades. Contam, neste momento, com uma empresa parceira com um forte cariz exportador, principalmente para o mercado dos EUA e África do Sul, mais duas que também exportam e, ainda, uma dúzia de outras empresas mais residuais. Para ajudar na produção, aos 55 trabalhadores que estão na Valdemar Sá, Cortiça Lda. junta-se três empresas prestadoras de serviços apenas de brocagem, já que todo o restante processo é realizado na unidade de Paços de Brandão.

Inovação e Qualidade

Valdemar Sá diz que trabalhar neste sector é uma paixão, mas mais do que isso é o amor que o faz estar sempre atento à indústria, a ser persistente e a inovar. “No fundo é estar sempre com uma visão para o sector e não conseguir parar de pensar naquilo que posso fazer para o servir. Até a dormir …” confessa o empresário. Foi este olhar atento que levou a empresa a lançar a inovação da estabilização da cortiça no frio. Grandes câmaras de ar frio recebem paletes de cortiça para estabilizar antes de serem traçadas. “Este método controla a evolução dos fungos e bolores, é benéfico para a cortiça, mas também para a saúde dos trabalhadores”, explica o empresário que refere com satisfação que outras empresas do sector também seguiram este método. Para reforçar os parâmetros de qualidade, a Valdemar Sá, Cortiças, Lda. é certificada pelo Systecode (sistema de acreditação das empresas mediante o Código Internacional das Práticas Rolheiras) desde 2001 e, em 2014, passaram para a certificação Premium. “É uma certificação que permitiu uma melhoria generalizada no sector, em todas as fases do processo, e isto é salutar para todos”, afirma o administrador.

No sentido da melhoria continua, o empresário acredita que ainda há duas áreas que poderiam ser alvo de mais investigação. “Ainda não temos uma máquina capaz de extrair a cortiça da árvore e ao nível da broca automática também precisamos de uma máquina mais inteligente que consiga escolher a cortiça de um traço e fazer as melhores rolhas”, alerta. Esta preocupação assenta, sobretudo, no facto de, a longo prazo, a mão-de-obra especializada poder escassear e, deste modo, ser possível colmatar a necessidade.

Ao nível do trabalho da APCOR, o empresário realça os sucessivos projetos de comunicação que a associação tem desenvolvido: “divulgar a cortiça nos mercados e junto dos consumidores é algo muito importante”; aliado a isto considera que “as garrafas de vinho deveriam fazer referência ao tipo de vedante que utilizam, é um passo que ainda deveríamos dar.” O programa Formação PME foi outros dos projectos que já usufruíram (vão já na terceira participação), sendo que a consultoria e formação, em diferentes áreas, são duas ferramentas fundamentais que o empresário destaca.

In, Notícias APCOR Julho, Agosto, Setembro 2017

Associado nr.275

Contato: Valdemar Sá, Cortiças, Lda.

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